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Uma empresa é feita de pessoas. E de que pessoas é feita a sua empresa?


No final de 2016, o então Diretor Geral da CGG do Brasil, Eduardo Coutinho, lançou um desafio: criar um grupo voluntário de funcionários para coordenar ações voltadas à responsabilidade social da empresa. A ideia era envolver os funcionários nas atividades, e devolver à sociedade um pouco do bem que ela nos proporciona quando dá espaço e acolhe as operações da empresa no país.


De lá pra cá muita coisa mudou, mas a vontade de ajudar e participar e o comprometimento da liderança só aumentou. Nesta entrevista, Susanna Frankel, especialista em Saúde, Meio Ambiente e Segurança para o escritório e os projetos marítimos da CGG compartilha os aprendizados desse processo e por que as empresas deveriam investir nesse modelo.



Como funciona o programa de voluntariado da CGG?


S.F - O modelo de governança foi sendo criado à medida em que o tempo foi passando, já tivemos de 5 a 10 voluntários. Hoje temos 8. Desde o início, definimos que o Grupo não teria uma organização padrão, com uma figura de liderança. Todos têm o mesmo poder de fala, trazendo suas ideias e tendo a liberdade de transformar ideias em ação, se isso for de comum acordo do grupo. Todas as grandes decisões são feitas em conjunto, em reuniões mensais, e extraordinárias quando necessário.

Tem duas coisas que considero essenciais: vontade e comprometimento da liderança. Sem isso, o programa não deslancha.

Nos últimos tempos, ganhamos um representante na gerência da empresa, Gerhard Peters, que é a nossa voz nos contatos com a diretoria da CGG do Brasil e também ajuda a dar direcionamento nas ações que planejamos fazer. Sendo um grupo de funcionários voluntários de vários departamentos diferentes, o Grupo é multidisciplinar, e dessa forma algumas pessoas têm mais afinidade a certas atividades e ações do que outras. Os responsáveis por cada ação são definidos por afinidade, disponibilidade e vontade. Nós fizemos uma competição de ideias inovadoras que beneficiam a sociedade e o meio ambiente, investindo na concretização destas ideias para que elas de fato fossem tiradas do papel, plantamos mudas para o reflorestamento de uma área degradada, fizemos parte do dia mundial de limpeza de praias, fizemos feiras de profissões para jovens levando as experiências dos nossos funcionários, e muitos outros! Temos como diretrizes principais (mas não limitantes) os temas de educação, meio ambiente e combate à pobreza. Por uma questão de organização e também para estimular o interesse dos funcionários, não se pode entrar no Grupo a qualquer momento. No final de cada ano, fazemos chamadas de voluntários, e todos que se dispuserem são aceitos, até um número máximo, que seja definido pelo Grupo na ocasião da chamada. E em complementação, encontramos uma forma de envolver ainda mais funcionários de forma contínua: a criação de “comitês”.



Vou falar um pouco mais sobre um dos comitês que temos hoje na empresa: O Abrace essa Causa. O Abrace é uma ação contínua promovida pelo Grupo de Voluntariado, mas gerida pelos membros desse comitê. Calma que eu explico! O Abrace é composto de 10 Causas de coleta de algum item que vai para reciclagem ou para algum destino ainda mais incrível, em que cada Causa tem um nome próprio e um responsável. Eu bem queria falar das dez, mas para não me estender, vou falar das três que mais me tocam o coração: a coleta de potes de vidro com tampa de plástico para doação para o Banco de Leite Humano do Instituto Félix Figueira; a coleta de itens de higiene em parceria com a campanha Mini-Gentilezas da Argilando que são destinados a pessoas em situação de rua e a coleta de roupas, acessórios e itens de decoração em bom estado que vão para o Bazar da ONG Amigos da Infância com Câncer (AMICCA). E cada causa é abraçada por um responsável, que chamamos de Braço. Como exemplo, vou citar a Amanda Porto, que é o Braço responsável pela campanha do Abrace chamada “Vestindo a Camisa”, que é essa que eu falei de coleta de itens para o Bazar da Amicca. É ela quem faz o contato com a Amicca, a propaganda interna para os funcionários doarem e a gestão das doações e das entregas na ONG. Envolvendo os 10 funcionários voluntários nesse comitê, conseguimos oferecer um senso de responsabilidade a cada um e mesmo com um Grupo de Voluntariado de 8 pessoas, podemos fazer muito mais! E o trocadilho é esse mesmo: Temos mais Braços!



Inúmeras pesquisas sobre felicidade indicam a ajuda altruística como um dos fatores mais importantes para ser feliz. Nós somos seres sociais, e quando sabemos que estamos fazendo o bem ao outro, nos sentimos bem. Para a empresa, há inúmeras vantagens.

Vocês se inspiraram em outros modelos de voluntariado?


S.F - No início, não tínhamos referência nenhuma. Durante vários anos, todas as nossas ações eram gerenciadas por nós, mas realizadas através de uma parceria com a ONG Argilando, que temos muito carinho por ter nos ajudado por todo este caminho. Aos poucos, e com ajuda do Gera Social, estamos começando a caminhar com as nossas próprias pernas, desenhando os nossos projetos futuros de longo prazo desde o rascunho – até o sucesso que esperamos. E eu fui entendendo que cada empresa que queria fazer ou fazia mesmo ações de responsabilidade social, enfrentava os mesmos desafios e sempre começava do zero. Ninguém se falava! Ah, isso não podia continuar assim. Então lá fui eu, ligando e batendo em portas de gente que eu não conhecia, para organizar uma sessão de troca de experiências entre empresas. Na primeira reunião, em 2019, estiveram presentes representantes de 5 grandes empresas além da CGG, e foi tão incrível, deu tão tão certo, que a partir daí ficou criado o Comitê do Bem, em que fizemos diversas reuniões antes do início da quarentena e convidamos mais empresas para participar – e vale falar que estamos sempre abertos a novos participantes. Inspiramos e fomos inspirados nessas reuniões, e estávamos prestes a criar um projeto conjunto, com ONGs e projetos da sociedade civil, que prometemos uns aos outros que seria in-crí-vel e que poderia multiplicar nosso impacto social positivo como pessoas e como instituições, mas infelizmente foi aí que a quarentena nos atingiu e tivemos que dar uma pausa durante esse período de distanciamento. Fica aqui meu compromisso com reforçar nossa adaptação ao virtual, porque um grupo bom como esse, tem que ser mantido! A CGG encoraja e dá suporte a iniciativas pelo bem do meio ambiente e das comunidades feitas pelos seus funcionários e filiais globalmente. Estamos em contato, trocando experiências sobre nossas iniciativas, de forma a aumentar nosso impacto positivo ao redor do mundo.


Que benefícios o programa visa atingir?


S.F - Todas as ações que planejamos levam em conta a participação do maior número possível de funcionários. Isso porque as atividades de responsabilidade social beneficiam o indivíduo de diversas formas. Inúmeras pesquisas sobre felicidade indicam a ajuda altruística como um dos fatores mais importantes para ser feliz. Nós somos seres sociais, e quando sabemos que estamos fazendo o bem ao outro, nos sentimos bem. Para a empresa, há inúmeras vantagens.



A interação e a confiança entre os funcionários se fortalece, e com isso, o trabalho em equipe também.


A primeira e mais óbvia é aquela do marketing externo. Todo mundo pensa nessa, né, e acha que é só isso que faz as empresas agirem em prol da responsabilidade social, mas não é bem assim. Uma empresa é feita de pessoas. E de que pessoas é feita a sua empresa? Ouso dizer que a minha é feita de pessoas que querem fazer o bem. Que até os mais sérios, se derretem em sorrisos e alegria quando trazemos alguma apresentação social para dentro da empresa. E que a interação e a confiança entre os funcionários se fortalece, e com isso, o trabalho em equipe também. E vamos falar também da geração Z? Que geração porreta essa que vai dominar o mercado nos próximos anos! Eles nasceram expostos a tanta informação, e com tanta vontade de mudar! Sei que nem todos têm essa possibilidade, mas quem tem, escolhe onde vai trabalhar, e salário claramente não é o único fator importante. A Responsabilidade Sócio-Ambiental conta – e muito! – quando esses funcionários escolhem sua empresa ideal para trabalhar. Esse diferencial é base para atração dos profissionais do futuro: aqueles que são motivados por seus valores e vão além pelo que acreditam. Em uma das reuniões do Comitê do Bem, escutei uma coisa de uma empresa participante que nunca saiu da minha cabeça: “A nossa empresa tem como diretriz impactar positivamente o entorno de todos os seus escritórios e sedes.” Olha o poder dessa frase! Imagina só se todas as empresas seguissem essa diretriz?! Que maravilha que seria! O impacto positivo potencial das empresas é imenso! Ah, se todas as empresas se dessem conta disso... E depois de escutar essa frase, essa virou minha diretriz também. Eu, como pessoa, profissional, e voluntária, tenho a diretriz de impactar positivamente o meu entorno. Como fazer isso? Eu ainda estou aprendendo, mas o Grupo de Voluntariado se tornou parte essencial de como chegar lá!


Quais são os fatores de sucesso para um programa como esse? O que não pode faltar?


S.F - Tem duas coisas que considero essenciais: vontade e comprometimento da liderança. Sem isso, o programa não deslancha. Sem isso, os objetivos ficam vazios e os funcionários não veem valor no que estão fazendo. São cobrados por estarem investindo tempo a esses assuntos (mesmo que seja seu próprio tempo!) e desestimulados a participar. Percebeu que eu não falei de recursos? Porque no voluntariado, o recurso é humano. Mesmo com pouco ou nenhum recurso financeiro, dá pra implementar programas incríveis (tipo o Abrace essa Causa!), desde que você tenha dentro da empresa vontade e comprometimento.



Sobre a entrevistada:


A Susanna Frankel é Engenheira Ambiental e de Segurança do Trabalho e mestranda em Práticas para o Desenvolvimento Sustentável. Trabalha há seis anos na CGG, empresa multinacional do ramo de geociências, em cargos diferentes, estando hoje como especialista em Saúde, Meio Ambiente e Segurança para o escritório e os projetos marítimos da empresa, além de fazer parte do Grupo de Voluntariado da CGG do Brasil desde 2016. Participou da Formação em Impacto Social oferecida em uma parceria entre o Gera Social e o Amani, e ela sempre gostou do tema de Responsabilidade Social, sendo voluntária desde muito nova, mas foi lá no curso que ela se apaixonou de vez pelo tema – não tinha mais volta.


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