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Liderança com propósito e economia mais inclusiva e sustentável, os novos rumos da OMC

Por Larissa Harari


Pela primeira vez na história, uma mulher africana foi designada Diretora Geral da Organização Mundial do Comércio (OMC). A nigeriana de 66 anos Ngozi Okonjo-Iweala assumiu o cargo neste 1° de março de 2021, após um longo processo de 9 meses de seleção liderado pelo Conselho Geral da Organização.



Criada em 1995, a OMC conta com 162 países-membros e seu objetivo principal é atuar como um fórum de negociações e acordos para reduzir os obstáculos ao comércio internacional.


O papel da OMC tornou-se ainda mais estratégico com a crescente disputa comercial entre os Estados Unidos e a China. Como organismo multilateral e mediador, o órgão deve enfrentar grandes desafios mundiais como promover processos de competição justa, transparentes e de combate às desigualdades, assegurando assim o desenvolvimento econômico das nações.


A escolha de Okonjo-Iweala se deu pelo seu melhor posicionamento para alcançar consenso dos 164 membros da OMC e realizar a reconstrução e reformulação da OMC. O órgão deve coordenar a atuação dos países para a retomada da economia e causada pela crise que a pandemia do Covid-19 impôs ao mundo.


Ngozi Okonjo-Iweala é formada em Economia pela Universidade de Harvard e doutora pelo Massachusetts Institute of Technology - MIT. Especialista em finanças globais, foi diretora de operações do Banco Mundial onde trabalhou por 25 anos no qual foi reconhecida por criar um fundo de resposta à crise alimentar que permitia uma assistência rápida a 44 países.


A missão de Okonjo-Iweala é trazer o propósito da OMC de volta, que é a negociação comercial como meio para atingir o desenvolvimento de populações, qualidade de vida e sustentabilidade para o planeta.

Okonjo-Iweala foi duas vezes Ministra das Finanças na Nigéria e presidiu a Gavi - uma aliança global de vacinas para garantir que os países em desenvolvimento tenham acesso aos imunizantes contra a Covid-19. A revista Forbes, classificou Okonjo-Iweala em 48º lugar no top 50 do ranking "Power Women" de 2015 pelo seu trabalho pelo “desenvolvimento de programas de reforma que ajudaram a melhorar a transparência governamental e a estabilizar a economia". Ngozi é reconhecida por sua competência em negociações internacionais e capacidade de liderança para enfrentar os principais desafios do mundo atualmente.


Em seu plano de fortalecimento da OMC, Okonjo-Iweala propõe retomar o objetivo original da organização, que é ser um instrumento internacional legítimo para evitar o crescimento das desigualdades entre e intra países. A economista acredita no poder do comércio, que representa 60% do PIB mundial, para ajudar os países em desenvolvimento a sair da pobreza.



A OMC tem o papel fundamental de ser o ambiente onde os países se encontram para resolver e evitar disputas e conflitos. A Diretoria do órgão deve facilitar a criação de regras coletivas para garantir igualdade de condições, transparência e competições justas nas negociações.


A cooperação internacional e o multilateralismo saem fortalecidos quando cada membro sente que o equilíbrio de direitos e responsabilidade dentro do sistema comercial é adequado e estes têm o incentivo de permanecer na OMC.


Este será um novo rumo para este importante órgão internacional em termos de liderança com propósito e transição de uma economia mais inclusiva e sustentável.

A missão de Okonjo-Iweala é trazer o propósito da OMC de volta, que é a negociação comercial como meio para atingir o desenvolvimento de populações, qualidade de vida e sustentabilidade para o planeta.


O comércio tem um papel importante em mitigar as desigualdades que foram exacerbadas pela pandemia, países perderam décadas de crescimento e os anos de combate à pobreza. Nesta retomada, a remoção de barreiras e restrições à exportação permitindo um livre fluxo de mercadorias, até mesmo suprimentos médicos e vacinas, e a resolução de problemas na cadeia de abastecimento podem salvar vidas.


A primeira mulher Diretora da OMC não só representa um grande passo para a diversidade na organização, mas é um sinal da mudança de liderança para uma representante de um país do sul global, a 27ª economia, com uma das populações de maior crescimento do mundo e é marcado por altos índices de pobreza e desigualdade. Este será um novo rumo para este importante órgão internacional em termos de liderança com propósito e transição de uma economia mais inclusiva e sustentável.



Sobre a autora:


Carioca, graduada em Relações Internacionais com especialização em Mediação de conflitos em Israel. Em 2016, se tornou Fellow do Amani Institute pelo curso de Gestão da Inovação Social e em 2020 iniciou seu mestrado em Desenvolvimento Internacional e Políticas Públicas pela Universidade de Duke nos Estados Unidos como participante do Programa Rotary pela paz.


Foi responsável em 2017 pela criação do Favela Hub, polo de inovação social e empreendedorismo no Cantagalo pela ONG Viva RIo. É cofundadora do Gera Social e coordenadora de parcerias e metodologias.

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